Mendonça retira tornozeleira de ex-presidente do INSS e impõe outras cautelares
Ministro do STF atendeu a recomendação da PGR e revogou a monitoração eletrônica de Ahmed Andrade, investigado por suposto envolvimento em fraudes no INSS. Ele está proibido de deixar o país e deve entregar o passaporte.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (8/9/2026) a retirada da tornozeleira eletrônica de Ahmed Mohamad Oliveira Andrade, ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e ex-ministro do Trabalho no governo Bolsonaro. A decisão atendeu a uma recomendação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que entendeu não haver indícios de que o investigado tenha atrapalhado as apurações da Polícia Federal.
Além de revogar a monitoração eletrônica, Mendonça impôs outras medidas cautelares: Ahmed está proibido de manter contato com outros investigados e de deixar o país, e terá de entregar seu passaporte em até 24 horas. O ex-dirigente foi preso em novembro de 2025 e é alvo de investigação da PF por suposto envolvimento em esquema de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS.
Segundo as investigações, Ahmed teria exercido papel "estratégico" para o "funcionamento e blindagem" do esquema. Ele era identificado pelos apelidos "Yasser" e "São Paulo", e mensagens e planilhas apreendidas apontam para repasses de valores indevidos, incluindo um registro de R$ 100 mil associado ao ex-ministro. A PF também apontou "fortes indícios" de que as fraudes estavam ativas durante o período em que ele comandou o Ministério da Previdência, de março a dezembro de 2022.
Negativa em CPI
Em depoimento à CPI do INSS, em setembro de 2025, Ahmed negou participação nas irregularidades. "Se houve abusos e irregularidades, esses foram praticados por entidades externas, que devem ser investigadas e punidas com o devido rigor. Se houve envolvimento de algum servidor, que também seja punido. Não sou contra isso. É que a gente não pode generalizar nem pré-criminalizar as pessoas", afirmou na ocasião. A defesa do ex-ministro ainda não se manifestou publicamente sobre a decisão de Mendonça.
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