PF: "Projeto DV" articulado por Vorcaro tentava influenciar STF e TCU
Inquérito 5.035 apura se campanha coordenada em nome de Daniel Vorcaro buscava influenciar decisões no STF e no TCU e desgastar o Banco Central.

A Polícia Federal registrou na portaria de instauração do Inquérito 5.035 que o chamado "Projeto DV" — referência às iniciais de Daniel Vorcaro — não se limitava a defender a imagem do banqueiro e fundador do Banco Master. Segundo o documento, a estratégia teria como objetivo influenciar decisões em curso no Supremo Tribunal Federal e no Tribunal de Contas da União. O inquérito foi aberto em 28 de janeiro de 2026.
A delegada Nathalia Ribeiro Leite Silva, responsável pela abertura do inquérito, apura se Vorcaro contratou uma empresa de marketing para divulgar conteúdo negativo contra o Banco Central e atribuir à autarquia a responsabilidade pelos fatos investigados na operação Compliance Zero. A portaria aponta que a campanha teria dois objetivos centrais: "atravancar o andamento das investigações" e "auxiliar o empresário a influenciar as decisões em curso, tanto perante o Supremo Tribunal Federal, quanto perante o Tribunal de Contas da União".
No documento, a PF descreve a campanha como voltada a defender a imagem do banqueiro e a levantar dúvidas sobre a atuação do Banco Central em relação à liquidação da instituição financeira. A corporação afirma haver indícios consistentes da prática de crimes previstos na Lei das Organizações Criminosas, além de outros delitos que possam ser identificados. O texto, porém, não afirma expressamente que Vorcaro tenha dado pessoalmente as ordens a Thiago Miranda, da Agência MiThi, ou comandado diretamente cada abordagem.
A investigação cita a Miranda Comunicação, também conhecida como Agência MiThi, e abordagens feitas por Júnior Favoreto, da agência GroupBR. Em um dos casos, um pagamento a um influenciador teria saído da conta pessoal de Thiago Miranda; outro contrato previa o envio prévio de "matérias, links e orientações" para produção e validação de conteúdo. O inquérito foi instaurado com base em duas Informações de Polícia Judiciária: uma com relatos públicos de influenciadores que disseram ter recebido propostas para produzir conteúdo em defesa do Master, e outra com perfis e postagens que, segundo a inteligência policial, "possivelmente estiveram engajados" na ofensiva digital.
A operação Compliance Zero foi deflagrada em novembro de 2025 para investigar fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Em fevereiro de 2026, o ministro André Mendonça autorizou a PF a prosseguir com perícias e diligências ordinárias, mas impôs um rígido sistema de compartimentação das informações, condicionando o acesso aos dados à atuação direta na investigação. Procuradas, a Agência MiThi e a GroupBR não haviam se manifestado até a publicação da reportagem original.
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