STF: Mendonça determina investigação de vazamentos em inquérito sobre filho de Lula
O ministro André Mendonça, do STF, ordenou à Polícia Federal que investigue vazamentos e quebras de custódia de provas em inquéritos que miram Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, sem direcionar a apuração a jornalistas.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na quinta-feira (20.ago.2026) que a Polícia Federal investigue os vazamentos e as quebras do dever de custódia de provas nas investigações que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão atende a pedido da defesa de Lulinha, que é alvo de inquéritos sobre possível tráfico de influência.
Na decisão, Mendonça citou reportagens que expuseram conversas de aplicativos, trechos de representações policiais e detalhes de inquéritos sob sigilo. O ministro reforçou, no entanto, que a investigação não deve ter como foco os jornalistas responsáveis pelas publicações. Segundo ele, as matérias apenas evidenciaram o desvelamento de dados que foram disponibilizados aos profissionais, e o objetivo é identificar os sujeitos que tinham dever funcional de preservar o sigilo ou que careciam de permissão legal para acessá-los.
O contexto da decisão envolve a divulgação, pela revista Veja, de mensagens entre Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger, que revelaram uma estrutura de intermediação entre interesses privados e órgãos da administração pública federal. A defesa de Lulinha, por meio do advogado Marco Aurélio Carvalho, voltou a criticar o que considera 'vazamento criminoso' e afirmou que há objetivo de influenciar o processo eleitoral usando o filho do presidente, sem que existam provas que o incriminem.
Roberta Luchsinger, por sua vez, é diretora da RL Consultoria e Intermediações S.A. e já foi alvo de medidas na operação Sem Desconto, da PF, que apura suposto esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS. Ela nega irregularidades e sua defesa não quis se manifestar sobre a decisão de Mendonça.
Para o advogado que atua na área criminal, a decisão reforça a importância da preservação do sigilo processual e da responsabilização de quem vaza informações, sem, contudo, atingir a liberdade de imprensa. A investigação deverá identificar os responsáveis pelo vazamento, que podem responder por quebra de sigilo funcional, entre outros delitos.
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