STF julga se Moraes deve ser investigado por relações com ex-dono do Master
Supremo analisa relatório da PF sobre mensagens no celular de Daniel Vorcaro para decidir se ministro Alexandre de Moraes será investigado; julgamento está em andamento.

O Supremo Tribunal Federal (STF) inicia, às 10h, o julgamento que vai decidir se o ministro Alexandre de Moraes deve ser investigado em razão de suas relações com Daniel Vorcaro, ex-dono do Master. A deliberação tem como ponto central o relatório da Polícia Federal (PF) que revelou mensagens e documentos encontrados no iPhone do empresário. Segundo análise publicada pelo JOTA, o ambiente entre os ministros é de descontentamento generalizado, marcado por interesses pessoais e impacto eleitoral.
O rito do julgamento
O relator, ministro Edson Fachin, conduzirá a sessão com a leitura do relatório e a delimitação do objeto da deliberação. Na sequência, haverá manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e, se houver, sustentações orais. Depois, Fachin apresenta o voto, seguido dos demais ministros na ordem regimental. Nos bastidores, há expectativa de pedido de vista, mas alguns ministros podem antecipar o voto para demonstrar discordância com o adiamento.
A questão probatória
A controvérsia envolve a cadeia de custódia da prova. O ministro Cristiano Zanin, sem aguardar determinação do presidente do STF, Edson Fachin, solicitou à PF a entrega de cópia de todo o material bruto extraído do celular de Vorcaro, sob o argumento de que não há hierarquia entre ministros. Moraes e Mendes também tiveram acesso ao conteúdo. A medida permite verificar se a PF fez recortes das mensagens e se elas estão em sequência — ponto que pode dar origem a questões de ordem em favor do ministro investigado.
O relatório da PF que veio a público também cita encontros do deputado Cezinha de Madureira (PL-SP) com os ministros Nunes Marques e André Mendonça, tratados como indícios de "intermediação" entre interessados em processos e membros de tribunais superiores. O ministro Flávio Dino autorizou ações de busca e apreensão, e a investigação aponta suposta estrutura de "comercialização de influência" junto a ministros do STF, do STJ e do TSE.
Até o momento, não há decisão sobre o mérito da investigação. O julgamento segue em andamento, e o desfecho dependerá dos votos. O caso evidencia a relevância da cadeia de custódia da prova em investigações que chegam ao STF.
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