Relatório da PF detalha vínculo entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro
Documento da Polícia Federal revela mensagens, contratos e encontros entre o ministro do STF e o ex-banqueiro, alvo da Operação Compliance Zero.

A Polícia Federal divulgou um relatório que detalha a relação entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado na Operação Compliance Zero. O documento, que teve o sigilo levantado pelo ministro André Mendonça, relator do caso, reúne mensagens trocadas entre os dois e terceiros, além de contratos e registros de encontros.
Segundo o relatório, a primeira menção a Moraes nas conversas de Vorcaro ocorreu em 2023, em diálogo com Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações. Em dezembro daquele ano, Faria compartilhou com Vorcaro um contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. Dias depois, mensagens citam um almoço em Campos do Jordão, e funcionários de Vorcaro afirmam que o ministro tirou fotos com a equipe do hotel.
Em janeiro de 2024, Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, enviou a Vorcaro uma minuta de contrato de prestação de serviços. Os metadados do documento indicavam que a última modificação foi feita por um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. O contrato, assinado em 23 de janeiro de 2024, previa pagamento mensal de R$ 3 milhões. Em fevereiro, mensagens entre Vorcaro e Faria mencionam um jantar em Brasília com “o careca”, em referência ao ministro.
O relatório também aponta um segundo contrato, firmado em maio de 2025 entre a Vikings Participações, ligada a Vorcaro, e o escritório de Viviane Barci. O pagamento, nesse caso, seria feito com aeronaves. Em agosto, Vorcaro relatou um voo agendado para “Barci” em uma das aeronaves. Em novembro de 2025, Vorcaro enviou mensagem a Moraes declarando gratidão e “dívida de vida”. Três dias depois, em 17 de novembro, Vorcaro enviou cinco mensagens em modo de visualização única ao ministro. No dia seguinte, foi preso na Operação Compliance Zero.
O escritório de Viviane Barci de Moraes enviou nota afirmando que o contrato foi assinado porque Alexandre de Moraes jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master. O JOTA procurou o STF e a PF, mas não obteve retorno até a publicação.
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