MP das bets pode caducar no Congresso ou ser suspensa por Fux, diz associação
Associação pelo Livre Mercado vê risco de caducidade da MP 1.394 no Congresso ou suspensão pelo STF. AGU defende manutenção da proibição.

A MP que proibiu as apostas de quota fixa no Brasil pode caducar no Congresso ou ter os efeitos suspensos pelo ministro Luiz Fux, do STF. A avaliação é do diretor-executivo da Associação pelo Livre Mercado, Paulo Ganime, em entrevista ao Poder360. A entidade, braço técnico da Frente Parlamentar pelo Livre Mercado, afirma que a edição da medida, sem período de transição, preocupa o Congresso pelos efeitos sobre a segurança jurídica de setores que mantinham contratos com casas de apostas, como clubes de futebol e emissoras de rádio e TV.
A MP 1.394, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 25 de setembro, proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa. O texto entrou em vigor imediatamente, mas depende de aprovação do Congresso em até 120 dias para não caducar. Enquanto isso, as plataformas tiveram até 5 de outubro para permitir o resgate voluntário de valores pelos usuários e começaram a sair do ar em 6 de outubro. Para Ganime, a ausência de regras de transição pegou as empresas de surpresa e pode inviabilizar, por exemplo, transmissões de campeonatos com times da América Latina que exibem patrocínio de bets nos uniformes.
No STF, o ministro Luiz Fux é relator de ações que questionam a legislação das bets e recebeu pedidos para suspender os efeitos da MP. A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) sustentam que a proibição foi abrupta; a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) também acionou a Corte, alegando impacto sobre a publicidade de apostas veiculada pelas emissoras. A Advocacia-Geral da União (AGU), por outro lado, pediu a manutenção da proibição, que o ministro aguarde a manifestação da PGR e a realização de nova audiência pública sobre o tema.
A AGU argumenta que o modelo anterior de regulamentação não foi suficiente e apresentou dados: os atendimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) relacionados a transtornos de jogo patológico e mania de apostas cresceram 140% entre 2018 e 2025, e o Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) estima R$ 30,6 bilhões em custos sociais e de saúde ligados ao jogo problemático. O órgão também cita a plataforma oficial de autoexclusão, que tem mais de 1,29 milhão de inscritos, dos quais 36,41% apontaram perda de controle financeiro como motivo para o bloqueio.
Para Ganime, o cenário mais provável é o Congresso deixar a MP caducar, em vez de aprovar a proibição. Uma segunda hipótese, menos provável, seria a derrubada do texto pelo Congresso e a discussão posterior de um projeto de lei. "O projeto de lei é formato ideal para analisar esse tipo de tema", disse. A associação defende uma regulamentação mais rígida como alternativa à proibição, sob o argumento de que a vedação pode ampliar o mercado clandestino. "Proibir a atuação das casas de apostas vai abrir brecha para o aumento da atuação das bets clandestinas", declarou.
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