Ex-presidente da Reag propõe delação à PGR e cita Banco Master e políticos
João Carlos Mansur, ex-presidente da Reag Investimentos, entregou à PGR uma proposta de delação premiada ainda não assinada. O documento menciona Daniel Vorcaro, do Banco Master, e envolve supostos desvios, além de citações a Jaques Wagner e ACM Neto.

Proposta de delação ainda sem assinatura
João Carlos Mansur, ex-presidente do Conselho de Administração da Reag Investimentos, apresentou à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma proposta de delação premiada. O acordo, contudo, ainda não foi formalmente assinado e depende de análise do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso. A informação foi divulgada pela repórter Natália Portinari, do Uol.
Acusações contra o Banco Master e suposto esquema
Segundo a proposta, o foco é Daniel Vorcaro, do Banco Master. Mansur afirma que a Reag prestava serviços ao Master desde 2019, quando Vorcaro assumiu o controle do banco, e que a empresa teria sido usada para desviar dinheiro por meio de laranjas e estruturas offshore. Ele também disse que negociava diretamente com Vorcaro, que teria conhecimento dos desvios e os operava.
Mansur já havia tentado firmar uma delação conjunta com Vorcaro, mas a PGR e a Polícia Federal consideraram as informações prestadas por Vorcaro insuficientes. A defesa de Mansur passou a ser conduzida pelo criminalista Aloísio Medeiros.
Operações e fundos offshore
Mansur foi alvo da operação Carbono Oculto, que investiga fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis com participação do PCC. Ele também é alvo da operação Compliance Zero, que apura emissão de títulos de crédito falsos e suspeita de desvio de recursos ligados a Vorcaro. Ainda segundo Mansur, o Jaguar Multimarket Fund Ltd, registrado nas Ilhas Cayman, recebeu R$ 494 milhões enviados pelo Master. O beneficiário formal do fundo é Benjamim Botelho, ex-dono da gestora Sefer, mas Mansur afirma que o verdadeiro dono seria Vorcaro.
Citações a políticos
A delação menciona o senador Jaques Wagner (PT-BA). Mansur relatou que, em 2023, Augusto Lima, ex-sócio do Master, pediu que ele comprasse ingressos para um show de Taylor Swift, no valor de R$ 63.300, destinados ao senador. Wagner respondeu que se tratou de “um pedido pessoal a um amigo”, que não conhece Mansur e não tem relação com a Reag.
Também é citado ACM Neto (União Brasil), candidato a governador da Bahia. Ele é titular de cotas do fundo Seattle 95, administrado pela Reag até 2025. Neto afirmou que o fundo foi criado no final de 2021 com recursos próprios de origem lícita e que, para cumprir regras da CVM, contratou a Reag como administradora. Ele disse que foi cliente da Reag e que a rentabilidade foi compatível com o mercado, com todos os impostos recolhidos e transparência total. Neto informou ter investido R$ 7,92 milhões em 10 depósitos, chegando a R$ 11,94 milhões em outubro de 2025.
Defesa não comentou
O Poder360 procurou a defesa de Mansur para comentar a proposta de delação, mas não obteve resposta até a publicação. O texto será atualizado caso haja manifestação.
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