STF define relator de ação do governador do Maranhão contra atos de Flávio Dino

Dias Toffoli vai analisar pedido de Carlos Brandão para suspender decisões de Dino em investigação no Maranhão. Defesa alega incompetência do ministro.

Redação Juridia20 de agosto de 2026 · 2 min de leitura

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, será o relator da ação apresentada pelo governador do Maranhão, Carlos Brandão, contra decisões do ministro Flávio Dino na investigação sobre desvio de recursos no Estado. O sorteio ocorreu na quarta-feira, 19 de agosto de 2026.

Na petição, a defesa pede a suspensão das decisões de Dino e também a suspensão do inquérito da Polícia Federal que apura possíveis irregularidades nas indicações do governador ao Tribunal de Contas do Estado do Maranhão. Os advogados sustentam que a competência para processar e julgar governadores é do Superior Tribunal de Justiça, não do STF.

Contexto

O pedido foi apresentado depois que Dino, na segunda-feira, 17 de agosto, determinou o afastamento de Daniel Brandão, presidente do TCE-MA. Daniel é sobrinho do governador e um dos alvos das investigações ligadas a desvios de emendas parlamentares e suposta obstrução de justiça no caso conhecido como “Tech Office”, relacionado a um assassinato em 2022.

Na decisão, Dino afirmou que há indícios de participação de integrantes da cúpula do governo maranhense e apontou o ex-se caduceu Raimundo Cutrim em suspeita de parte do esquema para “comprar o silêncio” de Gilbson Cutrim Junior. Também há relatos de que o financiamento do esquema usufruiu recursos de emendas frauduladas no ex-deputado Josimar de Maranhãozinho, que foi condenado por desvios de verbas pela 1ª Turma.

A defesa do governador considera que a atuação de Dino é eivada de “incompetência absoluta”, ressaltando que isso “compromete a validade dos atos decisórios e das medidas investigativas dela decorrentes”. Os advogados Nabor Bulhões e José Carlos Porciúncula assinam a manifestação. Dino foi governador do Maranhão entre entre 2015 e 2022, período no qual Carlos Brandão era vice-governador.

Em nota, Daniel Brandão disse receber a decisão de afastamento com “perplexidade” e declarou sua “absoluta inocência”. Afirmou ainda que não concorda, mas deve cumprir a medida e adotar os recursos legais para se defender e demonstrar a verdade dos fatos.

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