Sete clubes de futebol devem boicotar reunião com Lula sobre proibição de bets

Botafogo, Flamengo, Fluminense, Vasco, Palmeiras, Santos e São Paulo não devem enviar representantes ao encontro do governo federal marcado para terça-feira (29/9). Corinthians deve participar.

Redação Juridia29 de setembro de 2026 · 2 min de leitura

Sete dos principais clubes de futebol do país — Botafogo, Flamengo, Fluminense, Vasco, Palmeiras, Santos e São Paulo — não devem enviar representantes à reunião convocada pelo governo federal para discutir os impactos da proibição das casas de apostas. O encontro está marcado para terça-feira (29 de setembro) em Brasília. O Corinthians, por outro lado, deve participar, segundo apurou o Poder360.

A reunião foi articulada para tratar principalmente da perda de receitas dos clubes com patrocínios de bets. A medida provisória que proibiu a exploração e a publicidade dessas casas foi publicada na sexta-feira (25 de setembro). Na véspera do encontro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os clubes "que se virem" para buscar alternativas diante da perda de receitas. O Palmeiras, embora aberto ao diálogo, avalia que o contexto eleitoral — as eleições estão marcadas para domingo (4 de outubro) — não é adequado para a reunião.

Impacto financeiro e presenças

Segundo levantamento da Sports Value, em 2025 as bets pagaram R$ 1,143 bilhão em patrocínios aos 20 clubes de maior receita do país, o que equivale a cerca de 36% da receita de marketing dessas equipes. A reunião deve contar com representantes da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e dos ministros do Esporte, Paulo Henrique, da Fazenda, Dario Durigan, e do Planejamento, Bruno Moretti.

Cronograma da proibição

A partir de 6 de outubro, sites e aplicativos de apostas deverão ser bloqueados no país. Os apostadores têm até as 23h59 de 5 de outubro para retirar voluntariamente os valores disponíveis nas plataformas. A publicidade, os novos patrocínios e as promoções de bets foram proibidos com efeito imediato; peças publicitárias e contratos já existentes poderão permanecer até 5 de outubro. Antes da publicação da medida, empresas de apostas haviam comunicado a clubes a possibilidade de rescindir contratos.

Projeto de lei no Congresso

Além da MP, o governo enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei para criar crimes relacionados às apostas de quota fixa. A proposta prevê pena de 4 a 6 anos de reclusão e multa para quem explorar, operar, oferecer, receber, registrar ou intermediar apostas, mesmo com autorização estrangeira. O texto ainda precisa ser aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente para virar lei.

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