Plano de Caiado prevê teto de gastos e reforma da Previdência, diz coordenador
Roberto Brant, coordenador do plano de governo de Ronaldo Caiado, defendeu ajuste fiscal com limite para despesas, reforma previdenciária e criticou emendas parlamentares como 'extravagância fiscal'.

O coordenador do plano de governo do pré-candidato Ronaldo Caiado (PSD), Roberto Brant, apresentou as diretrizes econômicas da campanha em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo. Segundo ele, a proposta terá como eixo central um ajuste fiscal baseado na limitação temporária do crescimento das despesas primárias do governo central. A medida, que exigiria uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), estabeleceria que os gastos só poderiam crescer a uma taxa equivalente a 60% do avanço do Produto Interno Bruto (PIB).
Brant, que foi ministro da Previdência no governo Fernando Henrique Cardoso, detalhou que a meta seria alcançar equilíbrio fiscal já no primeiro ano de mandato, com superávits progressivos: 0,5% do PIB em 2028, 1% em 2029 e 1,5% em 2030. Ele classificou o plano como “um ajuste gradual, mas transparente”, ressaltando a necessidade de uma âncora constitucional para garantir previsibilidade e compromisso de longo prazo.
O ex-deputado federal também defendeu uma nova reforma da Previdência, mas ponderou que mudanças no sistema atual não resolveriam sozinhas o desequilíbrio fiscal. Para ele, é preciso preservar os direitos adquiridos e, ao mesmo tempo, criar um modelo que contemple os novos trabalhadores. “Talvez o caso seja criar um outro sistema de Previdência, deixando o atual para quem já tem direito, e pensar em um sistema de capitalização para quem entrar no mercado a partir de agora”, afirmou.
Em relação ao Congresso, Brant criticou duramente as emendas parlamentares, que somam cerca de R$ 70 bilhões, chamando-as de “extravagância fiscal” e “imoralidade pública”. Ele também citou os supersalários no Judiciário e no Ministério Público, que custam R$ 24 bilhões por ano, como pontos que precisam ser enfrentados. O coordenador defendeu ainda uma reforma política, incluindo o fim da reeleição e a adoção do voto distrital, além de uma “concertação entre os Poderes” para viabilizar as mudanças.
A proposta de Caiado, segundo Brant, também prevê medidas para reduzir a taxa básica de juros para 6% ao ano, com inflação controlada em até 4%. O plano, no entanto, ainda depende de negociação política e de detalhamento técnico, não tendo sido apresentado oficialmente como projeto. As declarações refletem a visão inicial da equipe econômica do pré-candidato, que busca se posicionar como alternativa de rigor fiscal no espectro político.
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