Fachin desmarca julgamento sobre atuação de Mendonça no caso Master após questão de ordem

Presidente do STF retirou da pauta sessão do dia 23 após questionamento de Gilmar Mendes e pedido de vista de Flávio Dino. Nova data será redesignada.

Redação Juridia17 de setembro de 2026 · 2 min de leitura

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, retirou da pauta da sessão plenária da próxima quarta-feira (23) o julgamento do pedido de investigação sobre a condução dada pelo ministro André Mendonça como relator do caso Master na Corte. A decisão foi tomada depois da sessão extraordinária da última terça (15), quando o decano do STF, ministro Gilmar Mendes, levantou questão de ordem em julgamento sobre a abertura ou não de uma investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Ao desmarcar o julgamento, Fachin afirmou que a medida se deve à "direta relação" deste processo com o ponto levantado na questão de ordem. "A inclusão em pauta será oportunamente redesignada", escreveu o presidente do Supremo. A retirada ocorre em meio à tramitação de dois pedidos de investigação relacionados à Operação Compliance Zero, que apura suposta corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias atribuídas a Vorcaro.

Contexto da questão de ordem

Na sessão de terça-feira, o plenário começou a votar proposta de Gilmar Mendes para que os dois pedidos de investigação — contra Moraes e contra Mendonça — fossem julgados em conjunto. O julgamento, no entanto, foi interrompido por pedido de vista do ministro Flávio Dino quando o placar estava em 4 a 3 para que os processos fossem julgados em separado.

Antes disso, na semana passada, Fachin já havia negado pedido de Moraes para que os dois casos fossem julgados juntos. O ministro alega que a análise sobre desvios na relatoria de Mendonça tem efeito direto na análise sobre o seu caso.

Entenda o caso

O STF enfrenta crise institucional desde que Mendonça, na condição de relator do caso Master, levantou o sigilo, em 1º de setembro, sobre relatório da Polícia Federal com 52 mensagens que os investigadores dizem ter sido enviadas por Vorcaro a Moraes. Em um dos trechos, o ex-banqueiro aparenta ter relação próxima com Moraes, a quem teria enviado cópia de contrato de R$ 131 milhões do Master com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. As mensagens foram trocadas entre 2023 e 17 de novembro de 2025, quando Vorcaro foi preso.

Na sessão de terça-feira, Moraes negou ter mantido diálogo com Vorcaro e acusou Mendonça de ter encomendado a inclusão de seu nome em eventual delação premiada de Vorcaro, por motivações políticas. Mendonça rebateu, classificando a acusação como mentirosa.

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