Divergência no TSE sobre canal 'Exército de Lula' expõe tensão entre presidente e ministros

Decisões monocráticas de Kassio Nunes Marques sobre o canal 'Exército de Lula' geraram embates com ministros do TSE e questionamentos sobre imparcialidade.

Redação Juridia24 de outubro de 2026 · 2 min de leitura

O segundo turno das eleições presidenciais tem sido marcado por atuação mais intensa do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, em temas ligados a redes sociais. O episódio envolvendo o canal de WhatsApp "Exército de Lula", comandado pelo deputado André Janones, evidenciou divergências internas na Corte e provocou questionamentos sobre a imparcialidade do ministro.

Em um mandado de segurança da coligação de Lula, o ministro Floriano de Azevedo Marques concedeu liminar para que o presidente do TSE não derrubasse o canal por via administrativa antes de o plenário se manifestar. O tribunal nega que houvesse determinação nesse sentido. Antes disso, o corregedor Ricardo Villas Bôas Cueva pediu informações sobre o canal; Nunes Marques então determinou a derrubada, Cueva restabeleceu o canal e enviou a liminar ao plenário. Nunes Marques, porém, classificou a decisão do corregedor como "exorbitou competências" e retirou o canal do ar até que ele fosse registrado como ligado à campanha de Lula.

O PT tentou afastar a responsabilidade, e a campanha de Flávio Bolsonaro pediu que o canal seja mantido sob responsabilidade da campanha adversária. Petistas veem manobra para tirar o canal do ar. O tema ainda não foi analisado pelo plenário; enquanto isso, foi editada resolução com critérios para registro de canais político-eleitorais pelas campanhas.

Também circulou no tribunal uma minuta proposta por André Mendonça para suspender canais com mais de 200 mil usuários entre 48 horas antes e 24 horas depois da eleição. Depois de repercussão, a proposta foi engavetada até o fim do segundo turno, e Mendonça disse que a medida valeria para todos. Nunes Marques pediu informações à Meta, ao Google e ao X após a campanha de Flávio questionar a fiscalização do "Exército de Lula" pela Meta. A defesa de Flávio sustenta que há coordenação no canal e que a Meta não indicou critérios, métodos, período e aplicativos examinados.

Em entrevista, Nunes Marques afirmou que a diferença é clara: "o canal do Flávio estava vinculado à campanha. O Exército do Lula, não." O corregedor Cueva determinou a remoção de um áudio do deputado Gustavo Gayer no "Tropa do Flávio" com acusações sem provas sobre mesários votando no lugar de eleitores, sob pena de suspensão do canal. No mesmo período, Nunes Marques manteve collabs a favor de Flávio por considerar que não há, em juízo inicial, prova de ação articulada, e suspendeu postagens. O presidente do TSE reuniu-se com plataformas para pedir isonomia no cumprimento do plano de conformidade.

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