CVM determina que Centaurus faça OPA por ações da Oncoclínicas
Colegiado da CVM reverteu entendimento técnico e decidiu que a gestora Centaurus deve lançar oferta pública de aquisição de ações da Oncoclínicas, em razão de cláusula estatutária de poison pill. Decisão pode envolver R$ 6 bilhões.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) decidiu, por unanimidade (3 votos a 0), que a gestora americana Centaurus Capital está obrigada a realizar uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) de ações da Oncoclínicas. A decisão, tomada na reunião do colegiado na terça-feira (25.ago.2026), reverteu o entendimento da Superintendência de Registro de Valores Mobiliários (SRE), que havia considerado a oferta não exigível.
O caso remonta a 2024, quando o fundo Josephina III, gerido pela Centaurus, passou a deter diretamente participação superior a 15% do capital da Oncoclínicas, após uma reorganização de participações anteriormente detidas pelo Goldman Sachs. O estatuto da companhia prevê uma cláusula de poison pill, que obriga o acionista que atingir determinado percentual a realizar uma OPA para adquirir as ações dos demais acionistas.
Acionistas minoritários questionaram a operação e pediram à CVM que determinasse a realização da oferta. A SRE, no entanto, entendeu que a participação já existia de forma indireta antes da operação, não configurando a aquisição prevista na cláusula. O colegiado, porém, divergiu e decidiu que a OPA é exigível.
Segundo estimativas, a oferta pode envolver valor superior a R$ 6 bilhões, conforme os parâmetros do estatuto, que incluem prêmio sobre a maior cotação das ações em determinado período. A Centaurus, que atualmente é a maior acionista da companhia com 14,59% do capital (após ter reduzido sua participação direta de 14,76% para 9,91% em julho de 2026), contestou a decisão.
Em nota, o fundo Josephina III afirmou discordar do entendimento do colegiado e informou que a disputa também é discutida na Câmara de Arbitragem do Mercado (CAM) da B3, questionando a jurisdição da CVM sobre o caso. A Oncoclínicas, que passa por reestruturação financeira com um passivo de aproximadamente R$ 5,1 bilhões e aprovou em julho um plano de recuperação extrajudicial, disse que continuará comunicando ao mercado os desdobramentos da decisão.
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