Crise no STF: Moraes pede investigação de Mendonça e Fachin intervém; entenda o conflito
Embate entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça se intensificou após divulgação de mensagens do celular do banqueiro Daniel Vorcaro. Fachin retirou pedido contra Mendonça do inquérito das fake news e defendeu o encerramento do caso.

A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça ganhou novos contornos nesta semana, após a divulgação de documentos e mensagens encontrados pela Polícia Federal no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. O material expôs a relação entre Vorcaro e Moraes e desencadeou uma disputa entre os dois ministros sobre a condução das investigações.
Cronologia do conflito
Em 27 de agosto, a PF entregou a Mendonça um relatório de inteligência com 218 páginas, produzido a partir da análise do celular de Vorcaro. O documento reunia mensagens, registros de chamadas e outros dados. Paralelamente, a PF também produziu relatórios de inteligência sobre a atuação de Mendonça nas operações Sem Desconto e Compliance Zero, apontando possíveis irregularidades — embora a própria PF tenha ressaltado que os relatórios não tinham caráter acusatório nem valor probatório.
Em 1º de setembro, Mendonça determinou a retirada do sigilo da ação que reunia o relatório e outros documentos. Entre os elementos divulgados, estavam conversas de Vorcaro com autoridades, incluindo um contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. Também vieram a público contratos entre Vorcaro e o escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher de Moraes. Em uma das mensagens, de 17 de novembro de 2025, Vorcaro perguntou a Moraes se deveria fugir do país; a prisão do banqueiro ocorreu dois dias depois. A PF informou que parte das mensagens não pôde ser recuperada, pois o contato atribuído a Moraes utilizava mensagens temporárias e visualização única no WhatsApp.
Reação de Moraes e intervenção de Fachin
Em 3 de setembro, Moraes pediu que Mendonça fosse investigado no inquérito das fake news, sob alegação de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Segundo Moraes, haveria “fortes indícios” de que Mendonça teria direcionado investigações contra ministros do STF, incluindo o próprio Moraes, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Luiz Fux e Nunes Marques. Para fundamentar o pedido, Moraes usou o relatório de inteligência da PF sobre a atuação de Mendonça, elaborado antes da decisão de retirar o sigilo.
No dia seguinte, o presidente do STF, Edson Fachin, interveio. Ele retirou o pedido contra Mendonça do inquérito das fake news e determinou que a questão fosse analisada em um procedimento específico, aberto para tratar dos acontecimentos relacionados ao Banco Master. Fachin também pediu informações em cinco dias a Moraes, Mendonça, ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Horas depois, em evento no Palácio do Planalto, Fachin defendeu a urgência de encerrar o inquérito das fake news, aberto em 2019 e relatado por Moraes.
Impacto prático para a advocacia
O episódio evidencia a fragilidade institucional em torno do inquérito das fake news e a disputa por sua condução. Para advogados que atuam em casos envolvendo o STF, a decisão de Fachin de desmembrar o pedido contra Mendonça pode influenciar a tramitação de investigações correlatas. Ainda não há definição sobre o mérito das acusações, e o procedimento específico segue em análise. A recomendação é acompanhar os próximos desdobramentos, especialmente as informações que serão prestadas pelos envolvidos e a eventual conclusão do inquérito das fake news.
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