Caixa reconhece renda de aplicativos como formal para crédito; endividamento preocupa
Caixa passa a tratar ganhos de motoristas de apps como renda formal, exigindo relatório de 4 meses e usando o menor valor. Endividamento de 82% pode limitar acesso a financiamento, alerta executivo.

A Caixa Econômica Federal passou a reconhecer, desde julho, os rendimentos de trabalhadores de plataformas digitais como renda formal para fins de análise de crédito. Antes, esses valores eram tratados como renda informal, o que dificultava a obtenção de financiamentos.
Para comprovar a renda, o banco exige que o aplicativo no qual o motorista é cadastrado forneça um relatório dos ganhos dos últimos quatro meses. A instituição adota como renda mensal o menor valor registrado nesse período.
Em entrevista, Clausens Duarte, vice-presidente de Habitação de Interesse Social da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e diretor-presidente da CR Duarte, afirmou que o endividamento das famílias brasileiras é uma preocupação. Segundo ele, o percentual de comprometimento da renda com dívidas alcançou 82% em julho, o maior nível desde o início da série histórica em 2015. Esse cenário pode dificultar a aprovação de novos financiamentos.
Duarte também citou o impacto das apostas online, que levam pessoas a deixar de comprar itens básicos para apostar. Ele observou que, mesmo com a nova medida, a capacidade de pagamento do trabalhador depende de outras obrigações financeiras. "Se ele já tem 20% da renda comprometida com um carro, mais 10% com uma geladeira, e ainda precisa sobreviver, isso atrapalha", exemplificou.
Sobre o programa Minha Casa Minha Vida, o executivo destacou que a maioria dos motoristas de aplicativo se enquadra nas faixas 2 e 3, com limites de renda familiar de R$ 5.000 e R$ 9.600, respectivamente. Há ainda a faixa 4, que vai até R$ 13.000. A medida é positiva, mas não garante que todos conseguirão a casa própria, pois depende da categoria e da situação financeira de cada um.
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