TSE determina exclusão de vídeo de Nikolas que associa Lula a crimes contra crianças
Ministra Estela Aranha deu liminar e deu prazo de 24 horas para o deputado retirar a publicação. Ela também proibiu a republicação e ordenou a notificação do X.

A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), concedeu nesta quarta-feira (30.set.2026) uma liminar que obriga o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) a remover, em até 24 horas, um vídeo que associa uma fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a crimes contra crianças e adolescentes. A decisão também veda a republicação do conteúdo ou de materiais "substancialmente idênticos" e determina a notificação da plataforma X para exclusão da publicação.
A medida atendeu parcialmente a um pedido da coligação "Brasil Pronto Pra Mais", que acionou o TSE na terça-feira (29.set). A campanha alegou que o deputado descontextualizou uma declaração de Lula sobre exames médicos e atribuiu conotação sexual à fala. O vídeo de Nikolas, publicado após o presidente afirmar que "as mulheres aprendem a tomar toque desde pequenas" durante um comício em Belém (PA), terminava com a frase "Meninas não são tocadas desde cedo, Lula" e mencionava a possibilidade de um pedófilo ouvir a declaração.
Na análise, Aranha considerou que a publicação não se limitou a uma crítica política ou discordância sobre a escolha de palavras. Segundo a ministra, o deputado introduziu uma conotação diversa da presente no discurso original, deslocando a discussão sobre saúde pública para práticas criminosas envolvendo menores. Para ela, a construção poderia levar o eleitor a concluir que Lula estaria "fazendo referência, anuindo ou normalizando" crimes graves contra crianças. A magistrada também destacou que a desinformação eleitoral não ocorre apenas quando uma informação é inteiramente inventada, mas também quando uma informação verdadeira é apresentada de forma distorcida.
O contexto envolve a fala de Lula na segunda-feira (28.set), quando ele comentava sobre exames de próstata e disse que os homens são "covardes" e não gostam de fazer teste. A campanha presidencial afirmou que o presidente se referia a exames ginecológicos preventivos, mas a diretriz do Ministério da Saúde para rastreamento do câncer do colo do útero recomenda o exame dos 25 aos 64 anos para quem já teve atividade sexual. No dia seguinte, Lula reconheceu ter usado "uma palavra, uma frase errada" e disse que falava de exames médicos. A primeira-dama Janja Lula da Silva também criticou Nikolas, chamando-o de "piá de bosta".
O descumprimento da ordem pode resultar em multa. O Poder360 procurou Nikolas Ferreira para comentar a decisão, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. A liminar é uma medida provisória e o caso segue em análise no TSE.
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