PGE se opõe à suspensão do 'Exército do Lula' e pede explicações à Meta
Para a Procuradoria-Geral Eleitoral, mobilização coordenada de apoiadores não configura irregularidade; órgão quer que Meta explique anúncio pago direcionado ao canal.

A Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) enviou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) parecer no qual se manifesta contra a suspensão do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). O documento, protocolado no sábado (24.out.2026), responde a pedido da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), que acusa o canal de promover ações coordenadas para ampliar artificialmente o alcance de publicações favoráveis ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No parecer, o vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa, afirma que a organização de pessoas reais para compartilhar conteúdos políticos simultaneamente, inclusive com hashtags, é permitida pela legislação. Para a PGE, a existência de fraude eleitoral depende da comprovação de práticas ilícitas, como uso de contas falsas, robôs, automação ou compra irregular de engajamento.
Apesar de rejeitar a suspensão, a PGE defendeu que a Meta, responsável pelo WhatsApp, esclareça a veiculação de um anúncio pago que direcionava usuários ao canal. Segundo o órgão, a publicidade teria sido publicada por uma página identificada como “Preembarque”, sem indicação clara do responsável. A procuradoria quer saber como o anúncio passou pelos mecanismos de verificação exigidos pela plataforma.
A PGE também recomendou ao TSE rejeitar os pedidos de bloqueio do canal, punição dos administradores e fornecimento de dados dos participantes.
Na sexta-feira (23.out), o ministro Floriano de Azevedo Marques, do TSE, concedeu liminar impedindo a suspensão do “Exército do Lula” por decisão administrativa da Presidência da Corte. O ministro estabeleceu que eventual restrição ao canal deverá ser analisada judicialmente pelo plenário do tribunal.
O canal, que reúne mais de 10 milhões de inscritos, é utilizado por Janones para mobilizar apoiadores da campanha de reeleição de Lula.
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