Justiça Federal suspende licenças e paralisa mina de lítio em MG por suspeita de fraude em estudos ambientais

Decisão da Vara Federal de Teófilo Otoni (MG) suspendeu as licenças do complexo minerário Grota do Cirilo, da Sigma Mineração, por suspeita de fraude em estudos ambientais e falta de consulta a comunidades quilombolas.

Redação Juridia09 de setembro de 2026 · 2 min de leitura

Suspensão cautelar e multa diária

A Justiça Federal determinou a paralisação imediata das atividades do complexo minerário Grota do Cirilo, operado pela Sigma Mineração nos municípios de Itinga e Arauaí (MG), no Vale do Jequitinhonha. A decisão, proferida pelo juiz federal Antônio Lúcio Túlio de Oliveira Barbosa, da Vara Cível de Teófilo Otoni, suspendeu as licenças ambientais do empreendimento e fixou multa de R$ 100 mil em caso de descumprimento.

A medida atendeu a pedido da Federação das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais, que aponta fraude nos estudos de impacto ambiental. O magistrado destacou o risco de dano irreversível às comunidades tradicionais, uma vez que a mineração opera de forma contínua, com detonações de explosivos e movimentação de terras a poucos quilômetros do território tradicional.

Falta de consulta prévia e divergência de dados

A federação alega que ao menos três comunidades quilombolas — Baú, Genipapo Pintos e Jenipapo II — estão dentro da zona de impacto direto, mas não foram consultadas previamente, etapa obrigatória para a emissão das licenças. A empresa sustenta que as comunidades estão fora do raio de oito quilômetros que obrigaria a consulta, com base em georreferenciamento próprio. No entanto, dados do Incra indicam que a Comunidade do Baú, por exemplo, dista apenas 2,3 km da área diretamente afetada.

Diante das discrepâncias, o juiz determinou a realização de nova perícia para esclarecer os dados. Enquanto isso, qualquer atividade minerária deve ser interrompida. Na decisão, o magistrado afirmou que a mineração sem consulta adequada "representa uma lesão diária, cumulativa e crônica à integridade física e sociocultural do grupo tradicional, justificando a imediata paralisação corretiva".

Impacto prático e proibição de TAC

Desde o início da operação, em 2023, a Sigma já acumulava R$ 2 milhões em multas por descumprimento de condicionantes ambientais. A empresa havia concordado em assinar um termo de ajustamento de conduta (TAC) para corrigir falhas e retomar a atividade, mas o juiz proibiu o governo mineiro de firmar qualquer acordo desse tipo, sob pena de multa de R$ 100 mil.

Para advogados que atuam em licenciamento ambiental, a decisão reforça a necessidade de comprovação rigorosa da consulta prévia a comunidades tradicionais, bem como a confiabilidade dos estudos de impacto. A suspensão cautelar vale até que a perícia esclareça a real distância entre a mineração e os territórios quilombolas, podendo influenciar a validade de licenças já emitidas em situações semelhantes.

Produzido com apoio de IA a partir de fonte pública. Ver publicação original.

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