Grupo dono do Habib's e Ragazzo obtém recuperação judicial

O Grupo Gennius, controlador das marcas Habib's, Ragazzo e Tendall Grill, teve pedido de recuperação judicial aceito pela Justiça de São Paulo, com dívida declarada de R$ 265,2 milhões.

Redação Juridia27 de agosto de 2026 · 2 min de leitura

O Grupo Gennius, responsável pelas redes Habib's, Ragazzo e Tendall Grill, obteve na Justiça de São Paulo a aprovação de seu pedido de recuperação judicial. A decisão foi proferida na segunda-feira (24) e homologada no dia seguinte (25), contemplando um passivo declarado de R$ 265,2 milhões. A KPMG foi nomeada para atuar como administradora judicial no processo.

Em nota, a empresa afirmou que as operações seguem inalteradas, com funcionamento normal das unidades e manutenção do atendimento ao público. A recuperação judicial, segundo o grupo, tem como objetivo preservar a sustentabilidade dos negócios e reestruturar as finanças diante do cenário adverso enfrentado pelo setor.

A crise foi atribuída a uma combinação de fatores: os efeitos prolongados da pandemia de covid-19, que reduziram o fluxo de consumidores em shoppings e áreas centrais, e a ascensão das plataformas de entrega, que alteraram os hábitos de consumo. Além disso, a elevação da taxa Selic encareceu o custo das dívidas e pressionou o capital de giro das companhias.

O processo envolve 178 pessoas jurídicas, sendo 119 lojas próprias do Habib's, 26 unidades do Ragazzo, 6 churrascarias Tendall, 10 franqueadoras e holdings, e 17 sociedades operacionais. Do total devido, R$ 22,3 milhões referem-se a créditos trabalhistas, enquanto R$ 241,7 milhões correspondem a obrigações quirografárias, ou seja, sem garantia real.

A KPMG terá um prazo de 15 dias para apresentar um relatório inicial sobre a situação econômico-financeira das empresas. Os credores poderão, em momento oportuno, contestar valores ou solicitar a inclusão de novos créditos na relação apresentada. Já o Grupo Gennius deverá apresentar um plano de recuperação em até 60 dias, sob pena de conversão do processo em falência.

A Justiça também suspendeu ações e execuções contra as companhias do grupo, mas negou o pedido para liberar recebíveis bancários dados em garantia. Nos planos da empresa está uma reorganização societária e a abertura de novas unidades em mercados considerados promissores, além do reforço no canal de delivery.

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