Com votos de Garotinho anulados pelo TSE, Douglas Ruas é eleito governador do RJ no 1º turno
O TRE-RJ oficializou a eleição de Douglas Ruas no 1º turno após o TSE anular os votos de Garotinho, com 50,88% dos votos válidos. Veja o plano de governo e a investigação.

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) oficializou no sábado (10.out.2026) a eleição de Douglas Ruas (PL) para o governo do estado em 1º turno. A medida ocorreu depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter anulado os votos de Anthony Garotinho (Republicanos), candidato com registro indeferido. Com a recontagem dos votos válidos, Ruas passou de 49,27% para 50,88%, garantindo a maioria absoluta e evitando segundo turno.
O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), adversário no eventual 2º turno, divulgou nota na quinta-feira (8.out) informando que não vai recorrer da decisão. Esse episódio mostra como a anulação de votos de um candidato com registro indeferido pode impactar a totalização final, inclusive alterando a necessidade de nova votação. Para a advocacia eleitoral, a atenção está nos efeitos jurídicos da retotalização e na ausência de recurso.
Ruas, de 37 anos, é formado em direito com pós-graduação em gestão pública e ingressou na Polícia Civil do Rio em 2013. Em 2022, elegeu-se deputado estadual com a segunda maior votação para a Alerj. Foi secretário municipal em São Gonçalo e secretário estadual das Cidades, além de ter presidido a Assembleia Legislativa. Fernanda Louback (PL) é a vice-governadora eleita.
O plano de governo tem a segurança pública como eixo central. O programa Escudo Fluminense prevê, entre outras medidas, retomada de territórios dominados por facções e milícias, uso de reconhecimento facial, leitura de placas, drones e scanners de carga, e combate à lavagem de dinheiro com desarticulação de empresas de fachada. Há também propostas de isolamento de líderes criminosos em presídios de segurança máxima, concursos para ampliar o efetivo da PM de 44 mil para 60 mil policiais e mutirões de cirurgias eletivas, além de implantações em transportes e educação.
Paralelamente, o MPRJ instaurou, em 15 de julho de 2026, Procedimento Investigatório Criminal sob sigilo para apurar o crescimento patrimonial de empresas nas quais Ruas tem vínculo societário. A investigação abrange suspeitas de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e fraude em licitações; Ruas nega irregularidades e afirma que apurações anteriores foram arquivadas. Na Justiça Eleitoral, o patrimônio declarado por ele passou de R$ 1.266.447,90 em 2022 para R$ 1.467.687,88 em 2026.
O cenário deixa em aberto o acompanhamento dos desdobramentos judiciais e administrativos, especialmente quanto à legalidade da retotalização e às investigações em curso. Até o momento, não há notícia de outros recursos contra o resultado, além da manifestação de Paes.
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