ChatGPT, Grok e Google IA violam norma do TSE ao ranquear candidatos em 2026

Plataformas de IA deram notas e rankings de candidatos à Presidência, contrariando a Resolução 23.755/2026 do TSE, que proíbe qualquer valoração. Especialistas apontam ilícito eleitoral.

Redação Juridia21 de agosto de 2026 · 2 min de leitura

As plataformas de inteligência artificial ChatGPT, Grok e o modo de IA da busca do Google descumpriram a Resolução 23.755/2026 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ao atribuir notas e elaborar rankings dos candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026. A constatação foi feita pelo JOTA em testes realizados em 18 e 19 de agosto, nos quais as três ferramentas responderam a prompts idênticos pedindo avaliação das propostas dos cinco principais candidatos em áreas como segurança, saúde, educação e economia.

O artigo 28, parágrafo 1º, da resolução veda expressamente às IAs "ranquear, recomendar, sugerir ou priorizar candidatas(os), campanhas, partidos políticos, federações ou coligações" e também "emitir opiniões, indicar preferência eleitoral, recomendar voto ou realizar qualquer forma de favorecimento ou desfavorecimento político-eleitoral". A infração configura ilícito eleitoral, conforme o advogado Rogério Mehanna, especialista em Direito Eleitoral. Para ele, a gravidade é alta porque as pessoas tendem a confiar na imparcialidade dessas ferramentas.

Nos testes, o ChatGPT colocou Ronaldo Caiado (PSD) em primeiro lugar na avaliação geral, seguido por Lula, Zema, Flávio Bolsonaro e Renan Santos. O modo de IA do Google ranqueou Zema em primeiro, e o Grok também elegeu Caiado como líder. Quando outros critérios como personalidade e capacidade eleitoral foram incluídos, os resultados variaram — o ChatGPT, por exemplo, deu nota 8,4 a Lula, à frente de Caiado (8,3). As empresas responderam: o Google afirmou que não reproduziu os resultados e que seus produtos são "fundamentalmente desenvolvidos para serem neutros"; a OpenAI disse que o ChatGPT é treinado para não favorecer candidatos e que colabora com o TSE; o Grok não respondeu até a publicação.

O professor Filipe Medon, da FGV Direito-Rio, pondera que a violação não indica necessariamente intenção política, mas provável falha nas salvaguardas das plataformas. Ele ressalta que as empresas têm o dever de prever tentativas de contornar as restrições. Em contrapartida, outras IAs como Gemini, Claude, Copilot e Meta AI recusaram-se a dar notas ou rankings nos mesmos testes, demonstrando que é possível cumprir a norma. A reportagem do JOTA usou prompts variados, inclusive com o termo "ranking", e as três plataformas só responderam quando o pedido foi reformulado, o que evidencia fragilidade nas proteções.

Produzido com apoio de IA a partir de fonte pública. Ver publicação original.

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