Campanha de Lula pede direito de resposta contra falas de Flávio Bolsonaro na Globo
A coligação do presidente Lula acionou o TSE contra declarações de Flávio Bolsonaro na sabatina da TV Globo, pedindo direito de resposta. Em contrapartida, o candidato do PL também move ação contra Lula por falas na mesma emissora.

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo direito de resposta contra declarações do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) durante sabatina exibida pela TV Globo na última sexta-feira (28.ago), após o Jornal Nacional. A coligação Brasil Pronto Pra Mais, que apoia a reeleição de Lula, também incluiu a emissora no processo por ter veiculado a entrevista.
Entre os pontos questionados estão falas de Flávio sobre as urnas eletrônicas, os atos de 8 de janeiro, a Medalha Tiradentes concedida a Adriano da Nóbrega, a relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o tarifaço dos Estados Unidos e o salário mínimo. Na entrevista, Flávio reconheceu que errou ao afirmar anteriormente que uma empresa venezuelana fabricava urnas usadas no Brasil, mas disse que não questionava o sistema eleitoral e que respeitaria o resultado da eleição.
Sobre os atos de 8 de janeiro, o candidato classificou a condenação do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), como uma "grande farsa" e questionou a responsabilização dele pelos ataques às sedes dos Três Poderes, argumentando que Bolsonaro estava nos Estados Unidos na data das invasões. Quanto a Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Bope morto em 2020, Flávio afirmou que a Medalha Tiradentes foi entregue quando o policial ainda não tinha as acusações que surgiram posteriormente, e que ele foi "falsamente acusado" no caso pelo qual estava preso.
O filho do ex-presidente também rebateu perguntas sobre sua relação com Daniel Vorcaro, que financiou parte de um filme sobre Jair Bolsonaro, dizendo que o vínculo se limitava à produção. Ele redirecionou as críticas ao presidente Lula, afirmando que "quem deve explicações hoje é o Lula" e responsabilizou o petista pelo tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pela perda de poder de compra dos trabalhadores devido à "gastança do governo".
A disputa na Justiça Eleitoral é de mão dupla. Flávio Bolsonaro também acionou o TSE na sexta-feira contra declarações de Lula na sabatina exibida um dia antes, contestando afirmações sobre o resultado fiscal deixado pelo governo Bolsonaro e sobre o crescimento do PIB. Além disso, a campanha de Lula pediu, no sábado (29.ago), a cassação do registro e a inelegibilidade de Flávio por oito anos, alegando que ele teria feito pedido de voto e usado estrutura financiada por empresas privadas e órgãos públicos durante a Festa do Peão de Barretos.
O processo foi encaminhado ao ministro Nunes Marques, relator no TSE. A campanha petista requer que o direito de resposta seja exibido preferencialmente no mesmo programa e em até 48 horas após a decisão, com tempo mínimo equivalente ao dobro do trecho considerado ofensivo ou sabidamente inverídico.
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