Aliados de Lula criticam Mendonça por remoção de posts sobre padroeira
Decisão do ministro do TSE determinou retirada de conteúdos que atribuíam a Flávio Bolsonaro intenção de tirar título de Nossa Senhora Aparecida. Guimarães, Freixo e Alencar usaram o termo 'censura'.

O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou na sexta-feira (25.set) a remoção de publicações que afirmavam que Flávio Bolsonaro (PL) teria proposto ou apoiado a retirada do título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. A ordem, direcionada a plataformas como X, Facebook, Instagram, TikTok e YouTube, alcançou mais de mil links e incluiu perfis de políticos, artistas e movimentos sociais.
A decisão, que amplia uma medida anterior em ação movida por Flávio contra o ator Antonio Tabet, classificou a informação como 'notoriamente inverídica'. Mendonça ressaltou que a ordem não autoriza a remoção genérica de críticas, sátiras ou opiniões contra o candidato. A campanha de Flávio apresentou um levantamento que identificou 2.086 publicações de 1.674 contas, com mais de 21 milhões de visualizações.
Aliados do presidente Lula criticaram a medida. O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT), escreveu no X que 'impedir católicos' de manifestar devoção seria 'um triste capítulo de censura' e afirmou: 'Ninguém vai nos calar'. O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) disse que Mendonça 'concordou com o pedido e censurou a publicação', classificando o episódio como 'um escândalo'. Já Marcelo Freixo (PT-RJ), candidato a deputado federal, questionou a motivação da retirada e comparou a conduta do ministro à sua atuação no caso Banco Master.
A origem da informação falsa remonta a um projeto de lei de 2007, de autoria do então deputado Victório Galli, arquivado em 2008. Flávio Bolsonaro não apresentou proposta para retirar o título da santa. A repercussão aumentou após a jornalista Maria Cristina Fernandes mencionar o assunto no programa 'Em Pauta', da GloboNews. A emissora corrigiu a informação e pediu desculpas na madrugada de sexta-feira.
A decisão de Mendonça ocorre em meio ao processo eleitoral de 2026. Os críticos argumentam que a medida interfere na liberdade de expressão e no debate público. Até o momento, não há informações sobre recursos contra a ordem.
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