Caixa ajuíza dissídio coletivo no TST após greve de bancários chegar ao 15º dia
Após mediação sem avanço no TST, Caixa ajuíza dissídio coletivo de greve. Entenda o impasse sobre o plano de saúde e a proposta rejeitada.

A Caixa Econômica Federal (CEF) ajuizou, nesta quinta-feira (24/9), dissídio coletivo de greve no Tribunal Superior do Trabalho (TST). O processo foi registrado sob o número DCG-1000975-72.2026.5.00.0000. A paralisação dos funcionários do banco público começou em 10 de setembro e chegou ao 15º dia.
O ajuizamento ocorreu um dia depois de uma audiência pré-processual de mediação realizada no TST, em 23/9, a pedido do Ministério Público do Trabalho (MPT). Após mais de sete horas de tratativas, não houve avanço. Participaram da reunião a Contraf-CUT e a Contec, representantes dos bancários. Em nota, a Caixa afirmou que busca solução institucional que assegure "segurança jurídica e previsibilidade para todas as partes envolvidas" e que cumprirá as determinações da Justiça do Trabalho.
O dissídio surge depois que os trabalhadores rejeitaram, em assembleia virtual realizada em 21/9, a terceira proposta da Caixa para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2028. Segundo o sindicato, 59,3% dos votos foram pela recusa. O principal ponto de impasse é o plano de saúde Saúde Caixa: a categoria rejeitou a ampliação do limite de participação no custeio de 6,5% para 9% a partir de 2027, o que, segundo estimativas apresentadas na negociação, representaria cerca de R$ 1 bilhão adicionais de forma recorrente na capacidade de participação do banco.
O que a Caixa propôs
Na proposta rejeitada, o banco também:
- Retirou a criação de contribuições diferenciadas por faixa etária, mantendo o pacto intergeracional;
- Previu a ausência de reajuste das mensalidades em 2026, com a Caixa assumindo o déficit projetado por meio da antecipação de futuras 13ª mensalidades;
- Estabeleceu, a partir de 2027, contribuição do titular de 3,7% da remuneração base e de R$ 560 para dependente direto; para filhos de 21 a 24 anos, R$ 660; para filhos de 24 a 27 anos e pais/mães remanescentes, R$ 900;
- Limitou a participação do grupo familiar em 9%;
- Reduziu a cobrança de consulta em pronto-atendimento de R$ 150 para R$ 120, mantendo isenção de coparticipação na telemedicina.
Próximos passos
Apesar do dissídio, a greve segue por tempo indeterminado. O Comando Nacional dos Bancários deve se reunir para discutir as próximas providências, e o Sindicato dos Bancários de São Paulo convocou ato às 12h desta quinta-feira na Avenida Paulista. A Caixa informou que manterá postura de respeito às entidades representativas e compromisso com os empregados durante o processo.
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