Acidentes com entregadores de aplicativo crescem 35% e somam 34 mil casos, aponta Ministério da Saúde
Dados do Ministério da Saúde enviados ao MPT mostram 34.211 acidentes com entregadores de aplicativo entre 2023 e julho de 2026; 2025 concentrou maior número de notificações.

Levantamento do Ministério da Saúde enviado ao Ministério Público do Trabalho (MPT) registrou 34.211 acidentes de trabalho envolvendo entregadores de aplicativo entre meados de 2023 e julho de 2026. O número representa crescimento de 34,92% no período. Do total, 34.004 ocorrências envolveram motofretistas e 207, entregadores ciclistas. Com os registros, a ocupação de motociclistas passou a figurar entre as dez categorias mais notificadas por acidente de trabalho no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).
Os dados foram encaminhados pela pasta ao MPT em razão da expansão do ecossistema de entregas por plataformas e a pedido do órgão. O levantamento considerou notificações do Sinan filtradas pela Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) para ciclistas mensageiros, os chamados bikeboys, e motofretistas. Em 2025, a série histórica atingiu o maior número anual, com 11.579 notificações, uma alta de quase 35% em relação a 2023, quando foram contabilizados 8.582 casos. Em 2024, segundo ano da série, houve 10.034 notificações.
Até meados de julho de 2026, o levantamento contabiliza 3.885 notificações, sendo 3.856 com motociclistas e 29 com ciclistas. O Ministério da Saúde, no entanto, alerta que os números podem ser ainda maiores diante da subnotificação. Parte dos entregadores atua de forma informal ou sem vínculo empregatício com os aplicativos, o que dificulta o preenchimento da Comunicação de Acidente do Trabalho (CAT) e o registro nos serviços de saúde. A pasta também informou que os dados de 2024 e 2026 ainda passam por etapas de consolidação e qualificação.
Ao divulgar os resultados, o MPT afirmou que “o compartilhamento dessas informações serve como subsídio estratégico para direcionar fiscalizações, instruir procedimentos investigativos e estruturar políticas públicas de prevenção”. Segundo o órgão, os dados devem embasar ações voltadas à responsabilização de plataformas digitais e empresas de transporte de mercadorias, com o objetivo de mitigar riscos e promover ambientes de trabalho seguros.
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